sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

ME ESBARRO / TIRO UM SARRO







ME ESBARRO
TIRO UM SARRO
TUSSO E CUSPO 

ENQUANTO RASTREIO 
O DISCURSO PERDIDO

EXPECTORO CATARRO
DE QUÊ FALO?

DO CAFÉ CULTUO A BORRA
DO SANGUE O COÁGULO
O AZINHAVRE DO COBRE 
A GANGA DO BRONZE
DAS PEDRAS O LEITE
DAS ENTRANHAS O FEL

CULTUO O CHAMADO 

DO BICHO NO CIO
O MUCO DA FÊMEA
O AROMA DA GALA
DE VÊNUS A CAL
DO SEXO A SEDE
DO CORPO A FOME
DA TERRA O CIO
DA SALIVA 
O SAL E O MEL

É MATÉRIA ESPESSA
A PALAVRA EM BRUTO

AREIA MOVEDIÇA
É LAVRA DE ESCRIBA 
NO SEDIMENTO DO MALDITO
(SEM RESSENTIMENTOS?) 
ENGASGO 
POR COMPULSIVO PIGARRO
ATOLO NO RETÓRICO LODO 
(ORADOR DE VOZ PASTOSA)
SUSPENDO.CANCELO.EMUDEÇO
ATÔNITO  
NA GARGANTA
O NÓ
DA FALA TRUNCADA
NO CÉU DA BOCA

II


REVEJO EM LAPSOS
BRANCOS DE MEMÓRIA
FLASHES DE AMNÉSIA
NÍTIDAS GLAUCOMATOSES 
ME AUTO RETRATO
EM CINZA E PRETO
MERO REFLEXO
PÍFIA MIRAGEM
MÍOPE E TARTAMUDO
PREPARO O DISCURSO
DA INAUGURAÇÃO
MAIS UMA VEZ
ADIADA



igor k marques
março/2006

2 comentários:

  1. O seu habitat é a textura, é a matéria.
    Sua fala é fragmento e a poesia intensa e forte.

    ResponderExcluir

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