sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

cambaleante o desenho




cambaleante o desenho
ergue-se perplexo totem
ectoplasma em estado de graça 
em êxtase místico 
ou transe fugaz?

incoerente
mudo ou falaz
em que suporte 
o desenho erige-se?
ora delira sóbrio
(saco de pele
tendão e ossos?)
ora elocubra ébrio
(container de carne
esperma e sangue?)


obs.cena.um

falo da imagem que me encara
de seu esgar de prazer
falo da pulsão plástica 
de suas tramas de gozo e dor

obs.cena.dois

falo da seiva que pulsa espessa
na selva de suas veias
do insustentável nirvana 
e seu lento desmoronar
minando resina
sangrando cor
matérico menstruo
de fêmea que aborta exangue
pigmentos do sublime
detritos  do prazer


obs.cena.tres


desmantela-se manso
o desenho 
em surdo ruir terminal
arquitetura inviável implode 
diante dos olhos perplexos 
incrédulos do seu criador

uma poeira gris paira sobre seus dejetos
palavras malditas, murmúrios de autista, 
estilhaços de canção, ruínas da memória, 
cantilenas de demente reverberam ocas
entre as quatro paredes 
de um cárcere de Piranesi 

obs.cena.quatro
(cai o pano)

cambaleantes
imagem e criador
re erguem-se perplexos totens
insanos narcisos deliram ainda 
por um dia ser
ereto falo 
loquaz obelisco romano



igor k marques
18/24/JUL/2000
15.06.12

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