quinta-feira, 16 de junho de 2011

"diante dos olhos passam"




DIANTE DOS OLHOS PASSAM

COMO NA IMAGEM LEGENDADA

AFOGAM-SE AS PALAVRAS

SUBMERGEM

FLUTUAM

INFLADAS COMO GADO MORTO

DEBATEM-SE ENTRE PEDRAS E TRONCOS

ASSISTO A TUDO IMPASSÍVEL

A POUCOS METROS DA MARGEM

INÚTIL CRIAR

SEM JOGAR

ABSURDO FALAR

SEM CANTAR

NAS CORDAS VOCAIS

TESTO CONSOANTE E VOGAL

EMITO SONS GUTURAIS

DE INAUDÍVEIS SOLUÇOS

OU DESCONEXO RUGIDO

DE SEIXOS ROLANDO

NO LEITO DO RIO?

NÃO, NÃO HÁ MÚSICA

É SÓ RUIDO

IMÓVEL SOB A CHUVA

ENGULO EM SECO

ÁCIDAS PALAVRAS MAL.DITAS

INFILTRAM-SE AMARGAS

MINANDO MEUS OSSOS

ENCHARCADOS DE

LÁGRIMAS AGRIDOCES

SEM DEFESAS

 UM BOTE NA JUGULAR

ME DEIXA AFÔNICO

FRATURO A FALA

NO ANTICLÍMAX

DE UM JOGO DE AZAR

DA FEBRÍCULA OBSCURA

QUE ME INVADE SURDA

DOS TESTÍCULOS

À PONTA DA LÍNGUA TRAVADA

DO POEMA RESTAM DEJETOS

INCOERENTES DE SUA LAVRA

MORRENDO À MÍNGUA

AO SABOR DA CORRENTE

igor k marques

nov/2005

jun/2011

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